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Depois das 80 horas de estágio nos últimos 11 dias, dentre tudo o que aconteceu uma em especial devo falar por aqui. Gerou-se um conflito interno entre o meu lado acadêmico farmacêutico e o lado de querer mudar de vida, o cozinheiro.
Desde muito cedo tinha como ideal de carreira trabalhar num laboratório, ser um cientista, um pesquisador e quem saber tornar-me um professor. Porém, as coisas nem sempre saem como nós gostaríamos, não?
O meu lado acadêmico acha um absurdo que eu tenha limpado o chão do lugar em que estagiei por conta do curso de cozinheiro. Ele não consegue admitir que alguém com mais de de 15 anos de estudo faça um coisas dessas. Um desperdício de intelecto e capacidade de pensamento.
Por outro lado, o lado cozinheiro não consegue admitir que alguém que estudou tanto, se dedicou tanto, um profissional tão bem gabaritado e com tanto potencial esteja numa profissão (farmacêutico) que remunera tão mal. Fadado a nunca ter o que deseja, a ficar naquela mesmice, sem algo mais na vida.
Se eu morasse sozinho… meu nome já estaria no SPC/Serasa na melhor das hipóteses. E para fazer o que eu imaginava na faculdade - mestrado-especialização-doutorado - tenho que ir embora do P.F.M. (Perto do Fim do Mundo), para o eixo Sul-Sudeste onde se encontrada as instituições voltadas para a minha área de formação, mas me sustentar como?
Por essas e outras que hoje eu posso dizer, quem escolhe Farmácia como carreira é realmente insano. É um profissão linda, mas muito mal reconhecida e remunerada. Uma pena.
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Troque “farmácia” por “biblioteconomia” e é praticamente a mesma coisa. Fucking país que só dá valor pra diplominha de direito e administração… E zero valor pra pesquisa.
Eu acho que não tem nada de mau você limpar o chão com 15 anos de estudo, afinal, foram 15 anos em outro lugar, na cozinha você ainda é “novato” mesmo, então nada mais natural… É um outro aprendizado, bem diferente daquele que nós tivemos sentados em carteiras.
Eu gostaria de ver você pesquisador, god knows é o tipo de profissional que precisamos urgentemente, mas se a cozinha falar mais alto - e te der mais oportunidades - vai em frente…O importante é sentir que onde quer que você esteja, você está fazendo algo que vai valer a pena no final…
Ainda bem que você não pediu um conselho, porque eu seria a pior pessoa do mundo pra dar! Eu vivo muitos conflitos profissionais, então de estar dividida eu entendo, mas solução eu ainda estou procurando!
Mas tem uma coisa que eu posso te dizer: a vida universitária tem dessas coisas, cria um orgulho FDP na gente, um ranço muito difícil de curar. Se você não fosse limpar cozinha, pode ter certeza que ia acabar limpando vidraça de farmácia. Assim que a gente sai da universidade, percebe que a vida é assim, que o profissional dedicado tem que fazer de tudo um pouco. Eu, pessoalmente, não acho isso ruim. Estudo é apenas uma etapa…
@Ale: Direito, Adm e Medicina! =P O problema é justamente saber qual dos dois vai vale mais a pena mesmo. Pois ganhar rios de dinheiros com farmácia eu já tirei o cavalo da chuva dessa possibilidade, hahahah, ou ser melhor remunerado com ela.
@Caminhante: eu também não acho ruim, mas parece que todo o tempo investido em estudo foi em vão, sabe como é? Tentei me qualificar tanto para nada, a falta de visão do futuro me atordoa. Escolhas, é tudo uma questão de escolhas… resta saber qual é a certa… ou então, a menos ruim… hahahahah
Nem me falem em conflito. Vivo um desses desde que me formei…
Estou em vésperas de defesa de dissertação de mestrado e descobri que não quero mais voltar naquele laboratório onde passei uns 3 anos em meio a ratos e experimentos cansativos. Como me estressei…
Nos intervalos entre uma reação de imuno e outra (a maioria dava errado), só queria escrever algo que não tivesse nada a ver com aquilo tudo que eu estava fazendo. A vontade de fugir e passar o dia escrevendo tudo que vinha a minha cabeça era quase insuportável.
Vez ou outra atendia pacientes como boa nutricionista que se preza. Entrava um dinheirinho, mas nada que me permitisse um grito de independência. O que deu em mim pra aceitar fazer mestrado sem bolsa? Na época, achava que estava fazendo o certo pro meu futuro. Mas “o certo” nem sempre é o que a gente quer de verdade.
Ainda estou meio perdida, entre meus escritos, meus pacientes e desejos que me colocam entre a importância de “limpar o chão” e produzir conhecimento. Fico contente por ter percebido, ou melhor, aceitado que as duas funções são importantes.
Tô aqui bolando um jeito de juntar tudo e ser feliz. Preciso acreditar que é possivel…